Saturday, May 2, 2009

Tudo fica mais fácil...

Sabe quando suas lembranças ficam emaranhadas em pensamentos e sonhos ao ponto de você não saber mais se realmente aconteceram, é ruim...não é mesmo?
Eu deveria ter uns 13 anos e já sabia que era diferente, que na verdade todas minhas amigas e amigos da escola ou ao redor da minha casa não pensavam como eu, não desejavam as mesmas coisas que eu desejava, não desenhava tudo que via pela frente ou ficava em estado de encantamento com as pinturas na igreja aos domingos. Me sentia muito só, mesmo com quatro irmãos. Ocorre que eu era a mais velha e nunca gostei muito deste posto.
Lembro que tinha um colega desde a primeira série, com quem sempre conversava e tínhamos uma amizade muito forte. Era meu irmão do coração. Como os Super Amigos dos desenhos, lembra?
Mas ao voltar para casa da escola ou passar todo o final de semana sem ter com quem conversar, ficava triste, muito triste.
Toda a minha infância e adolescência tive poucos amigos, que hoje vagueiam em minhas recordações: a primeira festinha de despedida da escola, a primeira paixão, a primeira decepção, a colega mais bonita, aquela que concorria comigo nas notas e aquela que não era tão amiga assim...
Acredito que não pertencesse aquele lugar, hoje vejo que ficaram pra trás poucas pessoas que me foram muito queridas.
Penso que hipoteticamente entrando na “máquina do tempo”, eu não trocaria minha fase adulta pela minha infância.
Morei sempre longe dos meus tios, primos e avós.
Estudava, brincava e passava de série, em uma caminhada anual para obter o grande prêmio: as férias com meus parentes.
Lá o tempo voava e no final, sempre triste ao retorno para cidade mal assombrada. Do vidro traseiro do carro, esperava a cidade dos meus sonhos desaparecerem.
Sempre escutava a mãe contando como foi sua infância. Sempre gostei de imaginá-la em cima de um cavalo com 12 anos apostando carreira com seus irmãos mais velhos ou tomando banho de rio com o irmãozinho caçula no córrego no fundo da casa onde ela e meus tios moravam. Ela devia ser mesmo uma espoleta.
Hoje minhas lembranças, meus amigos, nossas viagens no Opala...no Chevete...no verão escaldante de Santa Maria da Boca do Monte ou no na chácara da vovó, me fazem companhia.
Fica fácil, muito fácil enfrentar este mundão de meu Deus...
Enfrentar todas essas pessoas enlouquecidas por status, por dinheiro ou por aceitação.
Enfrentar paredes bege, uma janela sem vista, a gritaria noturna nas ruas ao longe, as ruas mal cheirosas da cidade grande e esse silêncio...que faz doer a garganta.

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"Tudo que está no plano da realidade já foi sonho um dia." Leonardo da Vinci

JAVIER....

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